domingo, 17 de abril de 2011

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Vai tua vida...

(Ao som de Johannes Brahms - Hungarian Dance n°5)


 Estática, corpo frio, a vida paralisou por um instante eterno. Tudo que via a sua frente era uma longa estrada, ao lado de todo o percurso havia apenas árvores e acima de si o firmamento azul ausente de nuvens.  
Onde estou? Perguntou-se e foi respondida: “Corra, apenas corra”.
Como quem puxa todo o fôlego da vida ela começou a correr e não conseguia parar, não pensava em nada, apenas corria e corria e corria, não sabia onde estava indo, mas sabia que estava indo. Não desejou nada, até que foi pega de surpresa por uma vontade de mudar de estado físico e começou a correr mais rápido e cada vez mais rápido...
Quanto mais corria mais estrada aparecia a sua frente, mas ela não percebia isso, não percebia nada, só queria agora mudar de estado físico. Queria se dissipar no universo,  queria ser ar. E o vento lhe impulsionava. Energia era tudo que havia ali.
Será que ela chegou? Onde ela está? Quem descobrir, certamente fará esse mesmo percurso.


 Nathalia Santana

terça-feira, 5 de abril de 2011

Parece que tudo voltou ao normal



Parece que tudo voltou ao normal.
Diariamente chega aquela saudade arrebatadora, uma música, uma frase, um gesto parecido, paisagens, lugares... Tudo é lembrança. Tudo que passei eu sinto como se fosse um tempo suspenso que vivi e agora volto, mas a contragosto. O que resta é aceitar o fim.
Nesse momento que escrevo sinto tudo tão presente, sinto até o cheiro de confeitos coloridos, seu cheiro. Escuto sua risada e respondo sorrindo também. Tenho medo de perder essa memória, ela dói, mas é a dor mais gostosa que já senti na vida.
Dias atrás pensei ter o visto passando do outro lado da rua, paralisei observando, era apenas um garoto que de perfil lembrava rapidamente sua fisionomia e estilo, nem sei descrever o que senti naqueles dois segundos que paralisei achando que era ele.
Acho que passarei o resto da vida vivendo segundos desse tipo. Os dias estão passando rapidamente e logo mais é meu aniversário, dia 30 de abril. Tenho trabalhado, estudado, pesquisado, chorado, me importando com coisa pequenas e outras até significantes. 
Parece mesmo que tudo voltou ao normal. FEZ-SE MAR.



Nathalia Santana 

sexta-feira, 18 de março de 2011

Georges de la Tour – Maria Madalena 1640


Se é pra morrer que seja trágico
Se é pra ser feliz que seja em êxtase
Sou uma obra barroca
E meus eixos permanecem longínquos
Ultrapassando os limites geográficos
Adentro o campo do simbólico
Sou contraste todo o tempo
Permito-me ser várias
E não me engano
Assim sobrevivo a monotonia
Necessário é está
Apenas estamos algo
Perante o mundo me curvo
Contemplo as possibilidades
Faço uso delas
Vou vivendo sem medo de cometer heresias
Mas o fim ainda me agonia
Tenho medo, somente, de quando
Não estarei mais.
 
   
(Nathalia Santana)


*Escrito ontem, 15 de março de 2011, na aula de História da Arte Brasileira;






domingo, 13 de março de 2011

Eu já sei por que sou viciada em você

Você me inspira; Você é matéria-prima para a composição de minha arte desconexa.

Faz-me construir orações com desmedida finalidade, e mais, me deixa deslumbrada com as possibilidades de interpretações, eu que não me deslumbro tão facilmente, sou arrebatada pela energia dramática que circunda a situação em que você se faz presente. Esse drama todo que crio, dirijo e enceno é produto de você.

Enlouqueço quase todos os instantes de pensar que sem você eu seria vazia, seria vazia de mim mesma. Porque você me faz ser eu o tempo todo, fico até cansada de mim ao final do espetáculo e reflito sobre o quanto sou confusa, ciumenta, nervosa, estúpida e o quanto amo.

É eu amo demais. Talvez esteja na hora de amar um pouco menos, de ser mais normal, de passar o demaquilante no rosto e buscar por outra de mim, outra que seja mais tranqüila, serena, pacata, outra que não seja eu, mas que me substitua por um período de férias que mereço.

Engraçado tudo isso, você também acha? Chega o momento que as coisas se invertem e o drama passa a ser cômico, como está sendo agora. Para além de tudo você ainda me faz sorrir no final.



Nathalia Santana